A fatalidade relativa à morte da menina de 14 anos que despencou do brinquedo
“La Tour Eiffel” no parque Hopi Hari, em Vinhedo, no interior de São
Paulo, apesar do rápido atendimento, impactará de modo contundente a
marca do parque, podendo até mesmo reverberar até no seu fechamento.
O empreendimento está em plena operação há anos, e certamente um
incidente como esse, se não for bem tratado pela empresa, pode trazer
danos gravíssimos à marca. É o mesmo com companhias aéreas. O risco de
imagem e a queda nas vendas
de passagens são sentidos de maneira implacável, no caso de acidentes,
que podem acontecer a qualquer momento, como ocorreu com TAM e GOL anos
atrás.
Cabe às empresas trabalharem para evitar ao máximo os acidentes. E caso
aconteçam, as companhias aéreas geralmente possuem as chamadas equipes
de gestão de crise prontas para entrar em ação em situações críticas
como essa. Recomenda-se que esse comitê de crise seja formado por algum
executivo sênior, além de um advogado, um jornalista e um profissional
da área de relações públicas, todos teoricamente capacitados para
discutir e colocar em prática rapidamente um plano de resposta a uma
determinada situação.
Uma primeira ação a ser tomada por essa equipe de gestão de crise, por
exemplo, é o chamado SEO reverso. O SEO (sigla da Search Engine
Marketing) é o trabalho que se faz em um site para que ele apareça nos
primeiros resultados da busca orgânica (não-paga) do Google. No dia do
acidente fatal no parque, quando se digitava o termo “Hopi Hari” no
Google, o primeiro resultado orgânico que aparecia, antes mesmo do site
oficial da empresa, era uma notícia relatando o incidente. Isso,
logicamente, é muito ruim para a imagem da marca. E em um momento como
esse, recomenda-se que seja efetuado esse trabalho de SEO reverso para
tirar os sites com notícias do acidente da primeira página do Google.
Algo similar aconteceu com a Brastemp. Experimente digitar a marca no
YouTube. O que se espera queseja o primeiro resultado: um lindo
comercial da marca? Sim. Mas o que realmente aparece em primeiro lugar é
o famoso vídeo do consumidor Borelli, uma péssima lembrança da história
da empresa. E, em segundo lugar, um belíssimocomercial da marca. Nesse
caso também seria importante que equipes de marketing da Whirlpool
(empresa dona da marca Brastemp no Brasil) faça um esforço de SEO reverso.
Há outras ações também devem estar na pauta de um comitê de crise, como
a divulgação de uma nota oficial em nome da empresa (que já foi
publicada no site do Hopi Hari), plano de como lidar com o assédio de
órgãos de imprensa, plano de investigação das causas do acidente, como
lidar com o inquérito policial, que certamente será aberto, e como
ressarcir a família da vitima, que, com certeza, entrará com um processo
jurídico e pedido de uma justa indenização pelos irreparáveis danos
causados.
Um parque de diversões do porte do Hopi Hari tem custos fixos
altíssimos que, para serem pagos, hánecessidade de estar com alto volume
de visitantes. E um incidente como esse com certeza os subtrairá de
forma significativa. Os pais buscarão outras alternativas de diversão,
teoricamente menos arriscadas, para seus filhos. Isso é um movimento
meio natural das pessoas, assim como alguns turistas estão preferindo
outras opções de roteiros românticos em vez de cruzeiros marítimos pelos
mares mediterrâneos, em virtude do acidente marcado pelo “Vada a bordo,
cazzo”, ouvido pelo comandante Francesco Schettino do navio de cruzeiro
italiano.
Crises de imagem de marcas são como manchas de óleo no oceano: algumas
são mais graves, outras menos. O que aconteceu na manhã dessa
sexta-feira no Hopi Hari foi uma mancha gigantesca. Incidentes como esse
deixarão uma cicatriz profunda e eterna na marca do parque e que, se
não bem tratada, pode causar um sangramento fatal. Só o tempo e a
habilidade dos gestores da marca Hopi Hari nos darão um diagnóstico.
Por Marcos Hiller, coordenador do MBA Gestão de Marcas (Branding) da Trevisan Escola de Negócios (@marcoshiller).
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