O diretor-presidente da Rela Gina, Luiz Carlos Rela, foi surpreendido
ao voltar de viagem e descobrir que a marca de seu produto estava sendo
usada na internet. "Sinceramente, acabei de chegar, todo mundo veio
falar comigo, mas não sei direito o que se passa. Ele não pediu
autorização para ninguém da empresa. Vamos ter que acionar o
departamento jurídico para ver o que será feito", diz.
Na próxima sexta-feira (24/08), está marcada uma reunião entre os
principais executivos da Gina para debater o que será feito em relação
ao caso. "Evidentemente, estão usando a nossa marca, que é patenteada,
até com fins comerciais. Nós temos visto até camisetas sendo vendidas
com a nossa marca. Faremos uma reunião com nosso pessoal, com o
jurídico, para sabermos o que fazer, porque é uma coisa muito nova para
nós", afirma Alfredo Rela Neto, presidente do conselho da companhia, que
também foi pego de surpresa.
A princípio, nenhuma decisão será tomada antes da reunião de amanhã, e a
empresa quer adotar uma postura amistosa com o criador da página no
Facebook. De acordo com o presidente do conselho, já foram enviadas
mensagens para o estudante de publicidade para que ambas as partes
possam se encontrar para conversar. Porém, nenhuma delas foi respondida.
O rapaz também foi procurado pela reportagem de Época NEGÓCIOS para
comentar a criação da página, mas não respondeu ao e-mail deixado até o
fechamento deste texto.
O uso da marca da Gina em uma página no Facebook, sem a devida
autorização e para fins comerciais, é irregular. Além das camisetas
citadas por Rela Neto, em entrevistas concedidas a diferentes veículos
da imprensa, o criador afirmou que está aberto a receber dinheiro para
fazer posts patrocinados. "Nenhuma pessoa pode usar comercialmente uma
marca que não lhe pertence", diz o advogado Eduardo Carlezzo. Mesmo sem
ganho financeiro, caso seja decidido que a ideia causou danos à marca, o
rapaz pode ser obrigado a indenizar a Gina.
Viral prejudica a marca?
A proposta do criador da
Gina Indelicada é responder perguntas de modo mal humorado. E o público
adorou. A fan page foi criada em 14 de agosto e chegou, em pouco mais de
uma semana, a mais de 1,1 milhão de seguidores. Ao todo, o Facebook
aponta que 1,8 milhão de pessoas estão comentando a respeito, uma marca
que nem mesmo as empresas que obtêm os melhores resultados na internet
conseguem.
O Burger King, por exemplo, fez promoção para festejar o primeiro
milhão de seguidores na sua página do Facebook. Montou uma mega operação
para distribuir um milhão de lanches quando bateu a marca em 4 de
agosto deste ano. Mas a rede de fast food estreou na rede social em 11
de maio do ano passado, ou seja, levou mais de um ano para conseguir o
que a afiada Gina Indelicada chegou em uma semana.
Qual é, no entanto, o efeito que tem uma iniciativa como esta sobre a
marca? Respostas ásperas, ainda que engraçadas, podem ofender. Um
internauta que perguntou se Gina assistia à novela Carrossel, por
exemplo, recebeu como resposta: "não, mas as aulas de português eu
assisti todas. Você deveria fazer o mesmo".
"O efeito na marca é muito pequeno. Poderia ser percebido em longo
prazo, a menos que fosse muito mais catastrófico, uma mancha de óleo
muito maior, mas não deve ser o caso. O impacto na gôndola é muito
pequeno, para não falar zero. Mas, como pesquisador, não vejo com bons
olhos. Apropriar-se da reputação de uma marca para ser visto e ouvido
pelos outros é um tanto quanto inadequado", afirma Marcos Hiller,
especialista em branding.
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